Refutações ao Comunismo

Qualidade Alta

Comunismo, uma distopia.

O ano é 1848. Marx e Engels lançam o Manifesto Comunista; os proletários do mundo vão ao delírio e se unem em sua nobre e salvadora causa. Em poucos meses o capitalismo cai e o governo burguês junto dele. A anarquia comunista está instaurada, tudo é de todos, nada é privado e todos vivem e prosperam com felicidade. Este era o delírio do que muitos – até mesmo na direita – chamam de Utopia; eu prefiro o termo Distopia.

A falsa alegoria criada por Marx e Engels está em alta hoje e domina o imaginário dos jovens e ignorantes. O sonho – para eles – de igualdade e fraternidade eterna, prosperidade e paz, baseados em uma ideologia absolutamente equivocada contamina as mentes vazias. Neste artigo veremos porque o comunismo não funciona – nem nunca funcionará – e que que ele foi aplicado como deveria, e que o problema não é o modo de aplicação ou seus gestores, e sim o modelo em si. Para os amantes do “deturparam Marx”, veremos que isso não passa de uma mentira.

Como em todo artigo meu, começarei pela Ética, que sempre deve ser o primeiro ponto a ser levado em conta antes de qualquer outro. Lembro ao leitor que estaremos utilizando a Ética de Propriedade Privada, ou Argumentativa, muito bem estabelecida por Hans Hermann Hoppe; e que – como já explicado em artigos anteriores – ela é a única plausível de uso.

Sendo assim, devemos lembrar que a teoria Marxista assume o Capitalismo como uma fase da evolução humana, assim como foi o feudalismo antes dele, e assim como será o Comunismo depois; e teríamos, também, pequenas etapas de transição que seriam o Socialismo e a Social Democracia. E aqui começamos nossa argumentação.

O que querem todos estes membros da esquerda? Chegar à igualdade eliminando o estado burguês e o capitalismo. E o que eles sugerem? Mais estado! Mais do que supostamente os oprime. Logo de cara, no discurso mais básico, já começam a aparecer as incoerências.

Sendo assim, o primeiro ponto que devemos analisar é se o estado é ético ou não, pois se vamos pedir mais ajuda dele, deve-se partir do princípio que sua existência é válida. Mas antes, lembro ao leitor que a justificativa que darei aqui para o fim do estado não tem nenhuma relação com os comunistas – que também querem o fim do estado – mas porque pela sua teoria o estado é composto de burgueses que usam dos tentáculos estatais para oprimir e explorar o proletariado e portanto deve acabar para que os proletariados do mundo unidos prosperem em uma nova sociedade igualitária. E como eu já disse, os meios que eles escolhem para isso são justamente pedir por mais do dito “estado burguês” que eles tanto abominam. Dito isso, podemos continuar.

Uma regra só é ética apenas se ela for universal, ou seja, for aplicável de maneira igual para todos; sendo assim, já que os membros do estado podem lhe cobrar impostos e você não podem cobrar deles, o sistema é antiético pois a regra não se aplica igualmente, assim como a agressão que parte do estado de forma ilegítima em caso de recusa de seguir suas leis e de não querer pagar este valor, que nada mais é que um roubo, ou seja, dado que existe um grupo x que pode atuar contra um outro grupo Y, e este grupo Y não pode fazer o mesmo com o primeiro, fica evidente que não há universalização, sendo então antiético.

Além disso, sendo a única ética válida a Argumentativa, aceitar que o estado realize expropriação da propriedade privada alheia é ir contra o Direito de Propriedade, e portanto uma contradição performática, pois usamos da propriedade de nosso corpo para argumentar, afinal ele é escasso e portanto é propriedade, logo não se é possível nem mesmo argumentar contra tal ética, pois ela é necessária para tal; deste modo é impossível concordar com uma cobrança ilegítima como a que o estado faz – e com a própria existência do estado – afinal  seria concordar com violação da Propriedade Privada, ou seja, permitir que o alguém viole o seu próprio corpo e de outras pessoas, abrindo espaço para a escravidão por exemplo.

Vale ressaltar que isso é diferente de uma acordo prévio entre contratante e contratado, ou senhorio e inquilino; no caso do estado, ninguém veio perguntar se você estava disposto a participar ou se estava de acordo com isso; logo, mesmo que alguém diga que deseja pagar ou que paga voluntariamente, o imposto ainda é roubo que torna o estado antiético.

Afinal um escravo que foi trazido a força pro local para trabalhar que diga que veio por vontade própria continua sendo um escravo; ele ainda não possui sua liberdade apenas por falar, pois não lhe foi perguntado se queria estar ali trabalhando quando foi trazido – afinal de contas, isso foi realizado a força, foi obrigado a isso – assim como não pode sair daquela condição; em suma ele continua sendo um escravo.

No caso do “pagador” de imposto é a mesma coisa, por mais que ele diga estar de acordo, a condição não muda, afinal nunca lhe foi perguntado isso e em caso de recusa ele é preso e multado. Sendo assim visto que o estado viola a propriedade privada ele deve acabar. Deste modo, a premissa é a propriedade privada como absoluta e o fim do estado uma consequência de sua defesa, e é justamente a violação da propriedade que torna o estado antiético, pois a propriedade é o princípio definidor da ética.

Dito isso, fica obvio que as premissas são bem diferentes. Os Austro-libertários como eu, defendem a propriedade privada como meio do fim de conflitos pois os recursos físicos são escassos, e para evitar o enfrentamento devemos definir donos/proprietários pela filosofia de John Locke, da Apropriação Original, bem trabalhada por Hans-Hermann Hoppe nos dia atuais. Já os comunistas não acreditam em propriedade privada, pois ela seria o meio pelo qual surgem os conflitos e como para eles é o estado que a concede – que é uma loucura sem tamanho – pois o estado é burguês, ele deve ser abolido, onde entende-se matar todos os burgueses. Uma diferença estratosférica!

Segue-se que, sendo o estado antiético, fica evidente que o socialismo – e a social democracia – não poderiam nem mesmo existir – pois como uma fase de algo que não deveria nem existir na realidade poderia ser aceita? – assim como, a fase defendida como Capitalista pelos marxistas, que na realidade nada mais é que um dos dois, pois o verdadeiro Capitalismo existe baseado na garantia de Propriedade Privada e Livre-mercado, coisas que eles odeiam e que a existência do Estado se opõem, em suma o capitalismo é anárquico. É evidente, que quando menor o estado e maior aproximação do capitalismo, mais prospero fica um país, como foi o caso da Alemanha pós segunda guerra, a agricultura Neozelandesa da década de 80 e os Estados Unidos antes da primeira guerra mundial, em que a interferência estatal foi quase nula na economia, que se não fosse a existência de impostos e a do próprio estado, que vão contra os dois pontos chave, poderíamos chamar de Capitalismo real.  

Ainda na ética, quando analisado estes dois sistemas fica claro mais uma vez a maldade da coisa, pois além do imposto ser roubo, ele é utilizado para redistribuição de renda forçada, nas desculpa de ajudar os pobres com programas assistencialistas. Não vou aqui entrar na questão de como estes sistemas destroem a moral e as virtudes do homem com estes programas e outros métodos, pois já escrevi a respeito no passado em meu artigo “O Estado e as Virtudes”. Entretanto, é claro que forçar as pessoas a “ajudarem” a alguém não é válido, afinal duas injustiças não formam uma justiça; onde a primeira injustiça seria a situação ruim de algumas pessoas e a segunda seria o roubo por meio de imposto, a soma destes dois fatores ruins não cria um bom.

Ao forçar isso você estaria indo contra o Direito de Propriedade das pessoas, que possuem propriedade de seu corpo, e por isso segue-se que possuem liberdade de como usar ele, para quais fins desejarem, ou seja, ter liberdade de escolher o que fazer ou não, quais atitudes tomar. Não sou contra ajudar quem necessita, mas isso deve ser feito por caridade, ou seja, de maneira voluntária. Ademais, dito que todo imposto é usado para redistribuição de renda, e é exatamente isso que os marxistas querem – ou seja, tentar chegar em um mundo igualitário – fica obvio que todo estado, mesmo mínimo, e na amada Democracia, são por definição socialistas, afinal, o estado não se mantém sem impostos.

Ademais, a pobreza é condição natural do homem, todos viemos ao mundo pobres, apenas com a propriedade de nossos corpos, sendo a condição inicial de todos. Sendo que o melhor meio de sair desta condição é o capitalismo que gera riquezas para todos em seu livre comércio, pois lembro ao leitor, como bem coloca Mises na Praxeologia, que toda ação humana sempre ocorre no sentido de sair de uma situação ruim para uma melhor, ou seja, a troca sempre será algo positivo, nunca se irá trocar algo com mesmo valor como afirmam os marxistas. Por que alguém iria querer trocar uma nota de 100 por uma de mesmo valor? Não faz sentido! Sempre se troca quando o item que você adquire tem maior valor subjetivo para você do que o anterior, nunca se tem o mesmo ou valor inferior, a troca é SEMPRE positiva.

Creio que com isso finalizamos a parte ética, misturada com um pouco de utilitarismo. E com isso entrarei nas questões da própria teoria Marxista e depois nas questões exclusivamente utilitárias, envolvendo economia e política também.

Um ponto especial que quero abordar dentro da teoria marxista é no que diz respeito as Forças Produtivas Materiais, que são como uma entidade que atua e movimenta o mundo controlando as ações humanas e por essa razão o comunismo irá emergir de maneira natural pois é a fase final de evolução. Marx defini – muito mal – que essas forças são máquinas e ferramentas de cada época, e que elas criam as relações de produção que indicam a era em que se está. Como disse, tudo sempre muito vago e confuso. Ora, como pode que ferramentas e máquinas – que são criação da mente humana – serem também entidades que controlam o mundo além da vontade dos homens? Para Marx as ideias são fruto das Forças Produtivas Meterias, mas como pode isso se as Forças são na verdade criação humana, afinal são ferramentas e máquinas? Ou seja, todas ideias dos homens seriam fruto de uma ideia dos homens? Como isso seria possível sem cair em um paradoxo? Contradição atrás de contradição.

Outro ponto essencial é a questão da consciência de Classe, que basicamente diz que o indivíduo só pensa de determinada maneira por ser membro de determinada classe, ou seja, não é o indivíduo que pensa e sim sua classe. Além disso, todo membro de uma classe que pense diferente é um traidor e que apenas um membro de determinada classe poderia representar os seus iguais. Ora, fica evidente a contradição pois o próprio Marx, que fala em prol dos proletários, não era um. Então como pode um burguês falar em defesa de outra classe se não a sua? Como pode um Burguês representar uma classe senão a sua?

Por fim, encerrando as questões da teoria, devemos considerar o ponto de que o Estado é supostamente burguês, pois ele define a propriedade para explorar o proletário e os impedir de prosperar. Já falei disso anteriormente e reforço do perigo deste pensamento.

Primeiramente, o estado oprimi a todos, não só uma classe, incluindo os burgueses, então não é possível afirmar isso pela metade; mesmo porque e se o estado é burguês porque existem impostos sendo que estes são os que mais atrapalham os burgueses – em especial os pequenos – em seus negócios (assim como todos submetidos a eles)? Assim como a larga burocracia que impede a todos de produzir? Se o estado é dos capitalistas – ou burgueses – por que eles apoiariam algo que expropria sua propriedade e os impede de lucrar mais? Não faz sentido dizer isso, sendo que o estado foi criado inicialmente por reis e depois derrubado por aristocratas que queriam manter o poder, e que odeiam os burgueses justamente pela ascensão capitalista ter permitido a mobilidade social, que refuta também a questão da luta de classes quando o capitalismo passa a ter sua ascensão, onde alguém que era pobre hoje pode não ser daqui algum tempo e vice-versa, eliminado a velha história de quem nasce pobre ficará assim para sempre, o capitalismo permitiu uma virada do jogo.

Além disso, lembro mais uma vez que o Estado como organização é antiética por suas violações de propriedade, e não por “criar/definir” a propriedade – o que ele não faz e nunca fará – ou seja, é o contrário pois o estado viola a propriedade e não a define como afirmam os comunistas – o qual seria o motivo de ser burguês – em suma o estado é tudo menos Burguês, pois viola justamente o que na própria teoria marxista define alguém como burguês, a propriedade privada! Além, é claro, de estar ignorando todo o fato de todos terem propriedade de seu corpo. Deste modo o Estado interfere na vida de todos, em especial desta classe acusada de ser o próprio estado; e dos pobres também, ou seja, posso concordar com os comunistas que o estado oprimi, mas não do jeito que eles dizem, e muito menos sua solução é a mais adequada. Ademais, a propriedade privada surge muito antes que o estado; como bem mostra Hoppe, em seu livro “Uma Breve História do Homem”. Assim, fica evidente que o estado não é burguês e nem define propriedade prvada.

Dentro disto eles ainda podem dizer que a função do estado é proteger os pobres dos capitalistas malvados, para assim surgir a revolução comunista/proletária, que é uma das bases da teoria – Não preciso lembra-los novamente da contradição de pedir mais estado sendo que o estado deve ser abolido pela teoria deles, não? – ora, isso é uma mentira sem tamanho, afinal quem mais sofre com impostos são os pobres que tem que pagar taxações desde os alimentos mais básicos até suas propriedades, ou seja, como esperar que ele irá se alimentar bem com os preços mais altos devido a impostos? Ou mesmo que irá abrir um negócio sendo que anualmente é cobrado por isso? E como comprar equipamentos iniciais se ficam muito mais caros? Então dizer que o estado está cobrando mais impostos, ou mesmo se inflando, para ajudar os pobres é loucura, e é justamente isso que o Socialismo e a Social Democracia fazem, aumentar o estado para então acabar com estado, novamente surge contradições.

Mesmo quando se adotam programas assistencialistas ou a questão do retorno de impostos, o que ocorre é que basicamente você tira a liberdade de escolha da pessoa e ainda lhe rouba, digamos, 100 reais e lhe devolve 50. É insanidade pensar que isso ajuda alguém. E como já disse, o primeiro ponto a sempre ser avaliado é ético, ou seja, a grande questão não é para onde vai o dinheiro, mas antes como ele é adquirido. Basicamente ocorre um erro duplo, o primeiro contra sua própria teoria, pedindo por mais de seus inimigos (o estado burguês) e em seguida por acreditarem que esse aumento irá ajudar os pobres.

Além disso tudo, muitos comunistas argumentam em prol da igualdade e fim da desigualdade, que é o ponto chave de sua teoria. Ora, a pobreza é o estado natural do homem e o capitalismo é o melhor meio de fazê-lo sair deste ponto, deixando o Livre Mercado atuar, e tendo verdadeira garantia de propriedade Privada, que sal defesa será baseada na Ética, e não no Estado. Entretanto, é evidente que os pobres de diferentes regiões têm diferentes condições de vida; por exemplo um pobre europeu tem melhores condições de vida que um pobre da África, assim como qualquer pobre hoje vive melhor que qualquer rei feudal, isso graças ao capitalismo. Então tentar erradicar a pobreza é impossível, pois todos os dias nascem pessoas assim, em seu estado natural de pobreza; o que se pode fazer é melhorar a qualidade de vida geral da população, para fazer que os pobres europeus tenham uma qualidade melhor que a atual, e que os da África tenham as que tem os europeus hoje, assim sucessivamente.

Ademais, quando se trata de desigualdade, da mesma maneira que se é impossível erradicar a pobreza por ser o estado natural do homem, é impossível erradicar as desigualdades pelo mesmo motivo, nascem pessoas todos os dias que são igualmente pobres em sua condição inicial, e pela questão de que nascemos diferentes em nossas habilidades e capacidades, e é exatamente isso que permite nossa cooperação, pois alguns serão melhores que outros em X, assim como outros serão melhores em Y. Quando tratamos de um ponto de vista econômico, fica mais uma vez evidente; vamos a um pequeno raciocínio: temos 10 pessoas, todas com 100 reais, esperemos 10 minutos(ou qualquer outro tempo) e vejamos o que acontece – as possibilidades são muitas – mas é certo que nem todo terão mais os mesmos valores; alguns terão 50, outros 150, alguns 0, outros 200, alguns manterão o valor; enfim, o que quero dizer é que os seres humanos fazem trocas, e tendem a ter menos ou mais coisas em determinados momentos e que isso não é um problema, a desigualdade nunca foi e nem será problema. E mesmo que fosse, qual seria a solução? Dar 100 reais a todos de novo? Redistribuir a verba novamente? Estatizar tudo para que tudo seja de todos? Obviamente nenhuma, afinal desigualdade não é um problema! Nós somos desiguais em aparência, habilidades, capacidades e muitas outras coisas, querer que haja igualdade em seres desiguais é loucura; nossas únicas igualdades é que somos totalmente pobres ao nascer e que iremos morrer um dia.

Em suma a Teoria Marxista é cheia de contradições. Acusam o estado de burguês, mas clamam por ele. Dizem que apenas alguém de uma classe pode falar por ela, mas seu líder é de outra. Acusam o capitalismo de dividir a sociedade em classes, mas esquecem-se que foi ele que permitiu a mobilidade social. Afirmam que existem entidades que controlam o mundo e o homem e suas ideias, mas estas mesmas entidades são criações da própria mente humana, ou seja, são suas próprias ideias. Os Marxistas acertam que o estado deve acabar, mas pelos motivos errados, e escolhem o pior método possível, dando mais poder ainda a ele. Acertam que ele oprimiu, mas não porque é burguês, mas sim porque é sua essência; assim como rouba a todos, sem exceção, não apenas uma classe. A luta não é de burgueses e proletariados, e sim de o povo contra o estado.

Elementos práticos do Comunismo

Nessa parte estarei avaliando as partes praticas do comunismo, sua parte utilitária. Como já avaliei a questão ética e da teoria marxista, basta apenas ver suas aplicações na realidade, que é o foco desta segunda parte. Sem mais delongas, vamos ao que importa.

Sendo assim, entramos na parte utilitária e a primeira coisa a se avaliar é a questão do cálculo econômico, muito bem estipulada por Mises que diz basicamente o seguinte: no comunismo – e mesmo no socialismo – não existe mercado, pois não há trocas, afinal tudo é de todos; logo não se é possível saber onde existe maior demanda por um equipamento. No livre mercado, os preços definem onde um equipamento é mais requisitado que outro; por exemplo, se o ferro está em falta na cidade X, seu preço local vai subir, o que mostrará para empresas de outras cidades que há uma demanda de ferro, que fará com que elas entrem no negócio para suprir a necessidade; ou seja, o mercado aloca equipamentos de maneira harmônica devido aos preços. Como não há preços, pois não há mercado no comunismo, é impossível transferir recursos de maneira eficiente.

A solução aparente seria tabelar todos os preços, que além de ser humanamente impossível pois os preços são subjetivos e mudam a todo momento, seriam infinitos itens a serem catalogados, sendo inviável fazer isso na realidade. Ou seja, uma economia totalmente planificada e estatizada é impossível, pois não haveria mercado, ou seja, todos os países Socialistas que existiram não tiveram uma economia totalmente socialista, sempre ouve um misto, a conhecida Economia Fascista – que é a única possível neste caso – em que teoricamente existe capital privado, como foi na Itália de Mussolini, Alemanha de Hitler e URSS de Stalin; mas em que todas essas empresas eram submissas ao estado direta ou indiretamente. Entretanto isso não significa que deturparam Marx, e sim, pura e simplesmente que é impossível aplicar o que foi proposto em sua plenitude, ao tentar fazer isso o sistema entra em colapso automático; e no caso do socialismo e socialdemocracia, a diferença se dá é que ainda resta um pouco de “mercado”, não havendo ainda uma economia 100% planificada, pois estes são períodos de transição, ou seja, é questão de tempo até chegar a algo totalmente controlado e o sistema ruir de vez. E mesmo que não chegue à totalidade o sistema se deteriora com o tempo, mais cedo ou mais tarde tudo colapsa. A própria teoria é errada, os socialistas fizeram exatamente o que foi proposto, seguindo passo a passo, a questão é que ninguém nunca chegou no comunismo pois ele é impossível.

Somado a isso, temos uma questão muito utilitária. Se tudo é de todos, pois não existe propriedade privada, como poderíamos comer uma maçã por exemplo? Se a propriedade é coletiva, significa que ela pertence a todos, então quer dizer que teríamos que pedir permissão para 7 bilhões de pessoas para comer uma maçã? Além disso, como a propriedade privada não existe, o nosso corpo passa a ser do coletivo, ou seja, para pedir para comer a maçã seria necessário antes pedir permissão para falar, entretendo este próprio ato seria de falar também e necessitaria de permissão novamente, e assim ad infinitum. É evidente que se cria um paradoxo. Então, pensar em “propriedades” coletivas é algo surreal e impossível de ser estabelecido na realidade.

Seguindo temos o problema da questão colocada por Olavo de Carvalho em seu artigo “Que é Ser Socialista?”, que basicamente é que se alguém será responsável por trazer a igualdade ao mundo, deverá ser alguém muito poderoso, mais poderoso que qualquer um, e mais rico que qualquer um, para que obrigue a todos que não queiram a se submeterem a “grande maravilha socialista”. Em suma, quem for realizar isso terá que ser um ditador muito poderoso, para controlar e submetera todos à causa proletária. Sendo assim, o socialismo sempre será totalitário inevitavelmente, afinal apenas alguém muito poderoso e rico poderá sobrepujar todos os grandes da sociedade, isso acaba por culminar em concentração de poder, mais expropriação de propriedade, pois seria o meio para conseguir mais poder; e em mais guerras, pois alguns poderiam resistir pela força, terminando em mais derramamento de sangue.

Ademais, temos toda a questão histórica que não colabora para os comunistas. Em todo globo inúmeras tentativas de implementar o comunismo foram realizadas, como exemplo temos URSS, China, Cuba, Coréia do Norte, Venezuela; e todas essas fracassadas experiências somam mais de 100 milhões de mortos, e os números só aumentam com os campos de concentração Chineses que ainda operam e as mortes na Venezuela, além de que nunca passaram da fase Socialista, sem chegar ao Comunismo, pois este é impossível pelo cálculo econômico. Isso tudo sem contar outras vertentes coletivistas, que pregam o bem maior do coletivo ao individual, como o Fascismo, que o coletivo é a Pátria, ou seja, Nacionalismo; e o Nazismo, que em vez de pregar a luta de classes financeira como os Comunistas, implementa um luta de classes biológicas, colocando a raça ariana como o coletivo máximo; sendo assim o somatório é muito maior. E estes mortos são inevitáveis, pois como bem coloca Marx, deve-se “abolir os burgueses do mundo”, ou seja, matar a todos; e como já disse, o líder terá que sobrepujar os que se opõem, logo este sistema sempre acabará em mortes e mais mortes.

Uma questão muito importante a ser lembrada é que como no socialismo temos um único líder – um ditador, ou um Fuhüer como dizem os alemães – e o governo é extremamente centralizado e totalitário, e isso acaba em acarretar que todas as decisões passam por ele. E analisando do âmbito econômico, por exemplo, fica evidente que isso é extremamente ineficiente. Veja bem, quando temos o sistema de livre mercado existem muitos empresários competindo, ou seja, pequenos líderes, que dividem todo o conhecimento e possíveis maneiras de executar diferentes coisas, o que ocorre é que acaba por existir mais de um tipo de técnicas, ideias e possibilidades pois existe mais de um julgamento do que pode ser eficiente.

Quando temos a economia planifica, e que passa pela análise de apenas um “empresário” – que seria o ditador – tudo fica dependente do que ele acha bom e melhor, ou seja, tudo se limita a uma única vertente de pensamento. Para facilitar vamos exemplificar, imagine que uma nova invenção surge, o computador, e que na concepção do ditador ele é algo ruim e não deve ser implementado, o que corre? A região sob seu controle não terá computadores assim como perderá uma ótima oportunidade de negócios. Obvio que no livre mercado alguns empresários poderiam ir pelo mesmo caminho, mas a grande questão é os outros que não iriam, e que assumiriam os riscos do empreendimento. No final, quem ganha é a população. Então ter um monopólio de decisão, como no Socialismo, nunca é bom.

A seguir muitos poderiam dizer que na Democracia não existem comunistas, pois adotando o Brasil de exemplo, o PT governou o país por mais de uma década e o Comunismo não surgiu. Isso é verdade(ainda), mas é fácil de explicar. Primeiro, como disse, existem fases de transição, que se dividem em socialismo ou socialdemocracia; esta está em alta hoje e é adotada por quase todas as democracias do mundo como sendo o meio termo ideal. Entretanto quando paramos para observar vemos mais e mais interferência estatal em todos os meios, desde a economia com barreiras de importação, protecionismo e subsídios, até a cultura financiando filmes e projetos que não deveriam. Ou seja, o estado, aos poucos, vai tomando conta de todos aspectos da vida, se instaurando em tudo, assumido o papel dos pais e da família, fazendo uma tomada lenta por meio da cultura – e isso leva anos – e tal estratégia foi elaborada por Antônio Gramsci, muito bem exposta pelo Professor Olavo de Carvalho em seu livro “Nova era e Revolução Cultural” e começou a ser aplicada no Brasil no começo do Regime Militar.

Nesta estratégia a esquerda financia movimentos que destroem o núcleo familiar, que clamam por ajuda e assistência estatal, e com o tempo o estado se apodera de tudo. Digo que, como Austro-Libertário, defendo a liberdade de qualquer pessoa fazer o que quiser contando que não agrida ninguém/não realize atos contra a propriedade alheia, entretanto isso não me impede de criticar e falar contra movimentos que depravação moral que destroem as famílias e a cultura; neste sentido, todos devemos ser conservadores, para preservar os pilares da sociedade, mas para isso se faz necessário a liberdade. Desta forma, os comunistas tomam o poder de maneira diferente, abandonando a maneira tradicional da revolução ou ruptura do capitalismo natural – que por acaso nunca chega – e modificando o processo por meio da cultura, a chamada Guerra Cultural então surge. Em suma, o que ocorreu no Brasil foi que cada vez mais os governos de esquerda estavam interferindo na vida de todos, e isso nada mais é que o estado inflando como bem planejam eles, para que tomem o poder e controlem a todos, afinal, lembro ao leitor, que o Comunismo, em última análise é um plano de governo totalitário para enganar trouxas, onde um líder forte mostra o caminho enquanto ganha poder e assume o total controle, assim surgem Stalins, Hittlers, Mussolinis, Fideis, e assim por diante.

Ainda neste ponto, é valido ressaltar que essa tomada progressiva, essa expansão estatal, ocorre mesmo em governos de direita, pois a natureza do estado é coletivista. Os governantes sempre tenderão a expandir seu poder na vida alheia, assim como tenderão a expansão territorial para conseguir mais súditos para ganharem mais com seus impostos, mais uma vez fica claro que não existe estado mínimo. A direita diz que o sistema de 3 poderes – ou 4, no caso da Monarquia – irá se auto balancear junto da constituição, mas esquecem que quem regula a constituição, quem a altera, são justamente membros deste estado. É loucura dizer que o governo irá regular o governo, mesmo com poderes diferentes, afinal são como dedos diferentes de uma mesma mão.

Ademais, quero fazer um pequeno exercício com o leitor de como seria o socialismo, ou mesmo comunismo na prática. Vamos imaginar que temos uma sala de aula e um professor aplica uma prova e diz aos alunos antes do começo que a nota a partir de agora será uma média geral de todos, ou seja, fara surgir uma igualdade, pondo fim à desigualdade. Nesta primeira prova, 10 alunos tiram uma nota excelente, outros 10 uma nota mediana, e o restante fica baixo da médica necessária; entretanto, como proposto pelo professor, todos acabam por tirar uma nota suficiente para passar. Ou seja, os que se esforçaram e se dedicaram tiveram a nota reduzida e os que fizeram o contrário tiveram sua nota aumentada. Na próxima prova o professor decide realizar a mesma coisa, mas desta vez alguns alunos que foram muito bem na primeira prova, assim como outros que se tirariam na média deixam de se esforçar, afinal, se a nota será uma média, não há porque eles tentarem irem melhor, pois os outros vão fazer por eles; ou mesmo, por que iriam se esforçar sendo que sua nota será reduzida igual? Com isso, a nova média geral é menor que e primeira, e assim sucessivamente. Afinal cada vez mais alunos passam a desistir de se esforçarem, até todos passarem a tirar zero pois ninguém mais se esforça. E é isso que ocorre no sistema proposto por Marx. Aliás é o que ocorre em todos local onde existe o estado, pois ele nada mais faz que isso, retirando de quem produz para quem não produz via impostos e programas assistencialistas.

Meu último ponto fica relacionado com o anterior e diz respeito as empresas estatais, mas primeiro vamos avaliar com funcionam as privadas. Quando se é dono de um negócio bem sucedido isso só quer dizer uma coisa, você foi eficiente em atender a demanda dos consumidores. E todo empresa funciona assim, em atender a da melhor maneira seus clientes, caso contrário ela irá a falência pois não haverá lucros. E esse melhor atendimento as demandas que gera mais lucro é justamente o incentivo para a empresa privada melhorar seus serviços frente a concorrência, pois se outras empresa fizer melhor ela será removida do mercado. No caso de empresas estatais, como no caso do socialismo, o incentivo de melhora se vai, por alguns motivos simples.

O primeiro deles é que se a empresa tiver prejuízos ela será subsidiada pelo governo, que vai aumentar os imposto para isso; partindo disso, a empresa que será monopólio, afinal é estatal – ou membro de um cartel estatal – não temerá fechar as portas caso não atenda as demandas, pois o governo irá dar dinheiro à ela caso venha a falir e justamente por não ter concorrência. Ou seja, tendo ou não um bom serviço ela continuará a existir, bem diferente das empresas privadas. Lembro ao leitor, que não necessariamente a empresa precisa ser estatal, basta ter um vínculo com o governo ou o próprio governo colocar barreiras de importação e outras atitudes protecionistas que impedem uma maior concorrência, isso torna os empresários preguiçosos pois tem pouco com o que se preocupar pois continuaram ali graças ao governo.

Por fim, fica claro que o comunismo, mesmo em apenas uma esfera utilitária não iria funcionar nunca. É impossível dar certo. Espero ter aberto a mente de quem leu e ter colaborado na sua formação. E lembrem-se todo mal vem disfarçado de um discurso bom com a desculpa de tomar o poder para solucionar o problema.

PARTE 2

Hans-Hermann Hoppe, Democracia: O Deus que falhou (Instituto Mises Brasil, São Paulo, 2014)

¹ Brum, Tiago: O Estado e as Virtudes, 2019.

– Olavo de Carvalho, O Mínimo que você precisa para não ser um idiota ( Editora record, São Paulo, 2016) p. 119

 – Olavo de Carvalho, Nova Era e Revolução Cultural ( VIDE Editora, São Paulo, 2014) Uma Breve História do Homem

– Karl Marx, Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista ( Editora Schwarcz S.A., 2018, São Paulo

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