Pistas Praxiológicas do Amar

Destaque, Pílulas Vermelhas

A ideia de um sentimento que não podemos controlar é a negação de si mesmo. Mas, geralmente, é melhor do que a solidão. Pense consigo mesmo, a todo minuto você é convidado a interagir consigo mesmo , com o mundo (coisas) e com os outros.

As interações consigo e com o mundo vão ter resultados sobre os quais, na ampla maioria das vezes, você pode controlar. Você tem o efetivo controle do que quer que esteja fazendo e tem o efetivo controle dos objetos passivos que são postos diante de ti. Mas, isso simplesmente não acontece com as interações humanas.

Veja que você está sujeitado a um sujeito que simplesmente não tem fins simultâneos aos seus. Veja que esse sujeito, ainda que lhe queira bem, tem fins próprios que nada lhe dizem respeito. Ele será feliz na mesma medida em que cumprir esses fins que podem não te dar satisfação.

E ainda assim, nós continuamos a interagir com as pessoas por mais do que necessidade. Continuamos a buscar as pessoas e continuamos a querer que elas estejam por perto. Nós olhamos o outro e temos convicção de que ele é melhor do que o conhecido, ainda que o conhecido possa ser refinado até estágios ainda melhores, nós buscamos o outro com o tempo que poderíamos buscar a nós mesmos.

A explicação para essa disposição em relação ao outro, para esse fascínio pelo mistério do próximo, eu não consigo por senão em termos de uma reflexão acerca de um passado onde nós todos tivemos momentos onde na necessidade efetiva do outro (quando crianças), os outros nos trouxeram coisas que passaram a nos definir como pessoas e que foram positivas sobre nós.

Essa expectativa sobre o outro parece ser capaz de explicar boa parte das interações que viemos a ter, por encontrar nos outros a possibilidade de criar o que acreditamos ser bom em nós mesmos. Por isso, aqueles que possuem laços mais fracos na infância, tem tanta dificuldade de interação e também por isso, que nós podemos entender a medida da compreensão do próximo como a medida da construção do eu.

Embora isso ainda não explique a insanidade de fé que seja amar, acredito que nos dá boas pistas.

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