O grande filtro

Vinícius Cavalcanti
18d898acbe@firemailbox.club

Sobre a mentalidade

Desde já, perdoem o uso de generalizações.

Os grandes filtros de evolução têm a capacidade de impedir o avanço das espécies. Variados em existência, não se limitam às catástrofes naturais imprevisíveis ou a eventos cósmicos fora de nosso controle. Um exemplo pode ser encontrado bem mais próximo de nós. Tão próximo que o consideramos banal. Banal a ponto de geralmente não percebermos sua presença: a mentalidade coletivista.

Talvez o maior dos filtros possa ser encontrado na própria espécie que deseja superá-lo. O avanço tecnológico não apenas concede maior potencial de criação a uma espécie, mas de destruição também. Caso o avanço tecnológico não seja acompanhado por um avanço na mentalidade presente nas sociedades, contudo, o destino destas pode vir a ser o total e absoluto colapso.

Um número considerável de barreiras que afligem a nossa existência são autoimpostas, significando estar em nós, o motivo de sua perpetuação.

Considero não estar no Estado a existência de um grande filtro, mas na mentalidade que o lastreia. Na inabilidade em se abster dos processos impositivos. Na incapacidade de compreender que todos os humanos detêm os mesmos direitos. Aqueles que tentam impor sua vontade, implicitamente indicam crer possuir direitos que os demais indivíduos não possuem.

O mundo que a nós é apresentado não pode ser dissociado da interpretação que fazemos dele. A interpretação permeia todo o nosso entendimento da realidade. Caso todos os indivíduos queiram impor suas vontades e visões de mundo nos demais, o que resultará será uma sociedade fragmentada, frágil e repleta de ódio.

Sobre o uso da mentalidade

Para o surgimento de qualquer Estado são necessárias apenas duas coisas: a mentalidade propícia e os meios físicos necessários para concretizá-la.

A mentalidade pode ser dividida em duas: a dos dominadores e a dos dominados.

Como diz Harold Barclay:

Nenhum Estado se desenvolveria caso não houvesse propensão por parte de, pelo menos, alguns indivíduos em conseguir poder sobre outros e, ao mesmo tempo, o condicionamento da grande maioria da população a submeter-se ao poder de alguns.” [1]

Ambas envolvem a noção de direitos desiguais.

Os meios físicos, podemos dividir em agentes e não agentes, sendo um exemplo do primeiro as forças policiais e, extensões de terra, do segundo. Ao conjunto de meios físicos da classe “agentes”, denominamos “pessoas” ou “população”. Outros exemplos de não agentes são o dinheiro e as armas, utilizados como instrumentos na dinâmica estabelecida.

Por se vestir em seu espesso manto demagógico, o Estado esconde sua verdadeira natureza e seus verdadeiros objetivos, passando a ser visto como um salvador, como um ente transcendental que fundamenta a ordem social, como garantidor de direitos. Um provedor, não um dominador. Estão criados, assim, os princípios de sua perpetuação.

Considerações finais

Quanto mais a sociedade se afasta dos ideais de liberdade, mais se aproxima de sua ruína. Assim como nenhum mercado pode ser mais evoluído do que seus próprios integrantes, uma sociedade dominada pelo Estado encontra seus limites na mentalidade presente nos indivíduos que a compõe.

Nossa realidade é o resultado de uma interação complexa entre causas e efeitos, não sendo possível estabelecer uma linha de separação definitiva em diversas ocasiões. Para se entender um Estado, não se pode ignorar a população que domina. Para se entender a população dominada, não se pode deixar de analisar o Estado à qual se submete. Os Estados são o reflexo das sociedades que dominam, enquanto auxiliam em seu molde e construção.

O problema, contudo, não é o Estado, mas a mentalidade que fundamenta sua dinâmica de poder. Combater esse problema marcará a nossa geração. Resolvê-lo será uma das maiores realizações da história humana.

Referências

[1] BARCLAY, Harold. The Origin of the State. Capítulo 3 condensado de “O Estado”. AJODA #61, vol. 24, no. 1, 2006. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/the-origin-of-the-state. Acesso em 22 de dezembro de 2020, tradução nossa.


2 Comentários
  • lhimotsu
    22/03/2021

    Como receber notificações?? Quero ler cada artigo do ‘blog’!

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    • Universidade Libertária
      23/03/2021

      Olá! Obrigado pelo interesse em nossos conteúdos! você consegue acompanhar tudo o que publicamos adicionando esse link a um feed RSS: https://www.universidadelibertaria.com.br/feed/

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