Não, Fidel Castro não melhorou a Saúde e a Educação em Cuba

Qualidade Alta

Cuba teve menos progresso na saúde e na educação do que a maioria dos países latino americanos nos últimos 60 anos, mostram os dados

No programa 60 Minutes da CBS, o senador americano Bernie Sanders exaltou as conquistas da Cuba comunista. O entrevistador questionou ele sobre os comentários que havia feito em 1985 em apoio ao ditador comunista Fidel Castro porque ele “educou as crianças, deu saúde para as crianças, transformou totalmente a sociedade”. Em resposta, Sanders defendeu os comentários dizendo que quando “Fidel Castro assumiu, você sabe o que ele fez? Ele fez um programa massivo de alfabetização”.

Mas Fidel não alfabetizou as crianças. Cuba já tinha um dos níveis mais altos de alfabetização da América Latina em 1950, quase uma década antes de Castro tomar o poder, de acordo com dados das Nações Unidas (estatísticas da UNESCO). Em 2016, o jornalista Glenn Kessler do Washington Post verificou que a afirmação de um político de que o governo Castrista melhorou significativamente a saúde e educação cubanas eram falsas.

Na Cuba atual as crianças são ensinadas por professores mal pagos em escolas em ruínas. Cuba fez menos progresso que a maioria dos países latino americanos nos últimos 60 anos.

De acordo com a UNESCO, Cuba tinha aproximadamente a mesma taxa de alfabetismo que a Costa Rica e o Chile em 1950 (por volta de 80%). E ela possui quase a mesma taxa que eles tem hoje (quase 100%).

Neste meio tempo, países latino americanos que era consideravelmente analfabetos em 1950 – como o Peru, Brasil, El Salvador e a República Dominicana – estão quase totalmente alfabetizados, reduzindo praticamente toda diferença que tinha para Cuba. El Salvador tinha menos de 40% de alfabetismo em 1950 mas possui 88% hoje em dia. Brasil e Peru tinham menos de 50%, mas hoje o Peru tem 94,5% e o Brasil 92,6%. A República Dominicana aumentou a taxa de alfabetismo de pouco mais de 40% para 91,8%. Enquanto Cuba fez um progresso significativo em reduzir o analfabetismo nos cinco primeiros anos de Castro no poder, seu sistema educacional estagnou desde então, enquanto boa parte da América Latina melhorou.

Ao contrário da declaração de Sanders de que Castro “deu” aos cubanos saúde, eles já tinham acesso a saúde antes de ele tomar o poder. Médicos frequentemente ofereciam saúde gratuita para aqueles que não podiam pagar. Como Glenn Kessler do Washington Post notou:

“Em relação a saúde e educação, Cuba já estava no topo dos indicadores antes da revolução. O baixo índice de mortalidade cubano é sempre muito alardeado, mas ela já liderava na região neste índice em 1953 até 1958, de acordo com informações coletadas por Carmelo Mesa-Lago, um especialista cubano e professor emérito da Universidade de Pittsburgh.”

Cuba praticamente tinha os melhores índices da América Latina em expectativa de vida em 1959, antes dos comunistas de Castro tomarem o poder. Mas em 2012, logo depois dele abdicar da liderança do Partido Comunista, chilenos e costa-riquenhos viviam ligeiramente mais que os cubanos. Lá em 1960, chilenos tinha uma expectativa de vida sete anos menor que os cubanos, e costa-riquenhos viviam dois anos menos que os cubanos na média. Em 1960, mexicanos viviam sete anos menos que os cubanos; em 2012, esse gap diminuiu para apenas dois anos.

(Hoje, a expectativa de vida é praticamente a mesma em Cuba e nos mais prósperos Chile e Costa Rica – isso se você acreditar nas estatísticas oficiais publicadas pelo governo comunista, o que muita gente não acredita. Cuba tem sido acusada com provas de esconder mortes de crianças e exagerar a longevidade de seus cidadãos. Se essas acusações forem verdade, cubanos morrem antes de chilenos e costa-riquenhos).

Cuba fez menos progresso em saúde e expectativa de vida do que a maioria dos países latino americanos nos últimos anos, devido ao seu sistema de saúde decadente. “Hospitais na capital da ilha estão literalmente caindo aos pedaços”. Algumas vezes, pacientes “precisam trazer tudo com eles, porque o hospital não fornece nada. Travesseiros, lençóis, medicamentos: tudo”.

Como Kessler notou:

“Repórteres também documentaram que os hospitais cubanos são mal equipados. Uma série de 2004 sobre o sistema de saúde cubano no National Post canadense afirmou que o estoque das farmácias são muito baixos e que antibióticos só são encontrados no mercado negro. ‘Um dos mito que os canadenses possuem sobre Cuba é o de que as pessoas podem ser pobres e viverem em um governo repressivo, mas pelo menos eles tem acesso a sistemas de saúde e educação de qualidade’, disse o Post. ‘É um retrato encorajado pelo governo, mas a realidade é completamente diferente’”.

Sob o comunismo, Cuba ficou para trás em mais indicadores de desenvolvimento humano. Como o economista progressista Brad DeLong pontuou:

“Cuba em 1957 era um país desenvolvido. Tinha uma taxa de mortalidade infantil menor que França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal. Tinha médicos e enfermeiras: tantos médicos e enfermeiras per capita quanto Holanda, e mais que o Reino Unido ou a Finlândia. Cuba em 1957 tinha tantos veículos per capita quanto Uruguai, Itália ou Finlândia. Em 1957 Cuba tinha 45 TVs para cada 1.000 pessoas – o quinto maior índice no mundo. Hoje? Hoje a ONU coloca o IDH de Cuba na faixa de México (e Carmelo Mesa-Lago acredita que os cálculos da ONU estão seriamente errado: que os países comparáveis com Cuba são lugares como a China, Tunísia, Irã e África do Sul). Assim, não entendo os esquerdistas que falam sobre as conquistas da Revolução Cubana: ‘Para ter melhor saúde, casa, educação’”.

Como nota Michael Giere, Cuba era próspera antes de Castro e os comunistas obterem o poder:

“As Nações Unidas (UNESCO) reporta que em 1957 a economia cubana incluía, proporcionalmente, mais trabalhadores sindicalizados do que os Estados Unidos. O relatório também observa que o salário médio para uma carga de 8 horas diárias era maior em Cuba do que na Bélgica, na Dinamarca, França e Alemanha”.

A PBS explicou em uma retrospectiva em 2004 que “Havana (antes de Castro) era uma cidade cintilante e dinâmica. Cuba ranqueava em quinto no hemisfério em renda per capita, terceira em expectativa de vida, segunda em propriedade de veículos e telefones, primeira no número de televisões por habitantes. O índice de alfabetismo erra de 76%, quarto maior na América Latina. Cuba ranqueava em 11ª no mundo em médicos per capita. Muitas clínicas privas e hospitais forneciam serviços para os pobres. A distribuição de renda de Cuba era comparavelmente melhor que outras sociedades latino americanas. Uma crescente classe média vislumbrava a promessa de prosperidade e mobilidade social”.

Mas depois que Castro assumiu, a prosperidade acabou:

“A destruição de Cuba não pode ser mais dramática. Ele roubou, assassinou e destruiu a nação do início ao fim. Um único fato explica tudo: cubanos antes tinham o maior consumo de proteínas nas américas, entrentato em 1962 Castro teve que impor racionamento de comida (carne, 57 gramas por dia), ao mesmo tempo que o consumo de comida caiu para níveis que não eram vistos desde o século XIX”.

A fome se tornou tão presente que um médico sueco, Hans Rosling, teve que avisar o ditador cubano em 1992 sobre a deficiência de proteína entre os cubanos. Aproximadamente 40.000 cubanos tinham reportado “borrões na visão e dormência nas pernas”. Rosling investigou a convite da embaixada cubana na Suécia e, com a aprovação do próprio Castro, Rosling viajou para o coração da epidemia, na província ocidental de Pinar del Río. Descobriu-se que todos aqueles que tinham a doença sofriam de deficiência de proteína. O governos estava racionando carne, e adultos sacrificavam a parte deles para poder alimentar as crianças, grávidas e os idosos. O Dr. Rosling comunicou Fidel Castro sobre isso.

Durante esse período de vasta fome, Bernie Sanders futilmente espalhava o mito de que a fome era inexistente em Cuba. Em 1989, ele publicou uma coluna em um jornal dizendo que na Cuba de Fidel Castro “não existia fome, está educando todas as suas crianças e está provendo saúde gratuita de alta qualidade”.

Tradução do texto “No, Fidel Castro Didn’t Improve Health Care or Education in Cuba” por Gustavo Poletti Kaesemodel

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