Explicando a Utilidade Marginal

Gustavo Kaesemodel
gustavo@universidadelibertaria.com

Formado na primeira turma da Pós-Graduação em Escola Austríaca de Economia pelo Instituto Mises e em Administração de Empresas com Foco em Marketing pela ESPM-SP, empreendedor e libertário. Autor do artigo A Autopropriedade e a Ética Libertária, publicado na Revista Mises. Tem como missão de vida divulgar o libertarianismo e fazê-lo acontecer na prática.

No artigo anterior, falamos sobre o valor e como ele pode ser ranqueado. Essa escala de valores pode ser chamada de diversas formas: Felicidade, bem-estar, utilidade, satisfação. Neste artigo, vamos falar de utilidade, mais especificamente sobre a utilidade marginal.

O conceito de utilidade marginal foi “descoberto” por três economistas de forma independente mais ou menos na mesma época. Entre 1869 e 1874, Walras, Jevons e Menger desenvolveram o conceito de utilidade marginal, apesar de terem abordagens ligeiramente diferentes. Menger é o que teve a abordagem mais diferente, e é também é considerado o fundador da Escola Austríaca de Economia.

Ele demonstrou que as pessoas avaliam o valor dos bens de forma unitária, e não de forma geral. As pessoas valoram “carvão” e “manteiga” não como um todo, mas por cada unidade especificamente. Imagine uma pessoa que está com muita sede. Para ela, um copo d’água vale muito, porque vai resolver uma necessidade urgente. Entretanto, se oferecerem um segundo copo d’água, ele já não vai ter tanto valor quanto o primeiro, pois boa parte da sede já foi suprida.

Quando um terceiro copo, depois um quarto copo e assim por diante, são oferecidos, cada copo adicional vale menos para a pessoa em questão, naquele momento. Perceba como cada copo d’água é avaliado de forma individual, e não como um bem genérico chamado “água”. É por isso que falamos em utilidade marginal, utilidade sendo uma palavra antiga que é sinônimo de valor, e marginal porque estamos adicionando uma unidade, estamos trabalhando na margem.

Este conceito também foi muito útil para responder um antigo paradoxo que confundiu as pessoas durante séculos. É o “paradoxo do valor”, em que a pergunta era: “Como o homem pode valorar muito mais a platina do que o pão, quando o pão é obviamente muito mais útil para ele?” E a resposta é que o homem não avalia “pão em geral” ou “platina em geral”, mas sim, dado o estoque disponível de pão e platina, o quanto um ou outro é mais valioso.

Se o pão está disponível em grande quantidade, aquela unidade de pão vai valer menos, ou muito menos, do que um quilo de platina, que é muito rara e difícil de ser encontrada. E é também por esse motivo, que a utilidade não pode ser somada, multiplicada ou dividida. Não posso dizer que dois copos de água tem o dobro do valor de um copo d’água. O máximo que podemos fazer é comparar o valor entre dois bens, podemos dizer que o segundo copo d’água tem uma utilidade menor que o primeiro copo.

Outro ponto importante é que os bens são avaliados da perspectiva da pessoa, e não da característica do bem. Assim, se temos duas marcas de manteiga, elas serão avaliadas de forma independente, como sendo bens distintos. E mesmo duas manteigas da mesma marca, podem ser avaliadas pela pessoa como bens distintos. Considere por exemplo que uma delas está mais próxima da validade. Ou que uma delas está amassada e a outra não. Ou que uma está mais no fundo do pote e menos derretida que a do topo do pote.

Não importa a característica, elas podem ser exatamente iguais, mas se na perspectiva de quem está valorando elas pareçam diferentes, serão então valoradas de forma distinta. Dessa forma, enfim, espero que tenham entendido o conceito de utilidade marginal. No próximo artigo iremos falar sobre a divisão do trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KONKIN, Samuel. O Manifesto do Novo Libertário. Artigo publicado pela Libertyzine. 16 de março de 2017.

Agorismo: Liberdade Na Prática. Roteiro. Curso da Universidade Libertária. Sessão 1: Introdução; Sessão 2: O Que É O Agorismo?


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