Existe a Necessidade de um Governo Federal?

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Muitas pessoas nunca pararam para pensar que um governo federal — muito mais do que uma coalizão de instituições supérfluas e autocentradas — é uma coisa completamente desnecessária. A verdade é que não serve para absolutamente nada, além de ser uma fonte monumental de desperdício de recursos, que seriam mais bem aproveitados caso permanecessem disponíveis aos seus proprietários originais, os “contribuintes” (cidadãos compulsoriamente roubados), cujos rendimentos são parcialmente confiscados para financiar a suntuosa vida de luxo e conforto da elite política e dos marajás do funcionalismo.

Governos são simplesmente grandes esquemas de transferência de renda. Imposto é simplesmente a transferência compulsória de parte da renda de todos os integrantes da sociedade produtiva, para a aristocracia governamental. Nós, brasileiros, somos pobres, porque temos três governos nos extorquindo simultaneamente: governos municipais, governos estaduais e o governo federal. Como a maior parte da tributação é indireta, no entanto, os cidadãos não tem uma noção real do quanto estão sendo roubados. Nisso, podemos incluir a inflação — corretamente chamada de imposto oculto — que diminiu o poder aquisitivo dos cidadãos, e concentra o poder do monopólio fiducário no governo federal.  

Uma estrutura soviética, autárquica, oligárquica e monolítica como o governo federal brasileiro — gerido pelas mesmas plutocracias há décadas — não faz grande diferença em nossas vidas (ao menos, não de forma positiva). Na verdade, eles dependem mais de nós do que nós deles. O governo federal precisa extorquir os habitantes do país porque precisa ter renda. Quando o cidadão precisa do governo federal — o que, diga-se de passagem, é bem raro — ele vai ficar esperando indefinidamente nos longos labirintos de vastas e impessoais repartições públicas, que só existem porque os “contribuintes” são violentamente extorquidos para sustentar toda essa estrutura, e sua demanda só será atendida depois de muito tempo. Isso se ela for atendida.  

Quem realmente afeta e influencia as nossas vidas diretamente são os governos municipais e estaduais. As medidas draconianas instituídas arbitrariamente pelos ditatores e psicopatas que fazem parte dos governos locais e regionais efetivamente nos afetam, tanto direta quando indiretamente. Por exemplo, muitas pessoas que votaram em Bolsonaro fizeram isso achando que dessa forma poderiam oferecer resistência ao autoritarismo progressista militante. Gradualmente, elas estão descobrindo que — em função da autonomia dos estados e municípios — políticas e ideologias de nível federal não fazem diferença nenhuma na realidade delas. Há algumas semanas atrás, Bruno Covas, o prefeito de SP, aprovou uma lei que autoriza a prefeitura a fechar estabelecimentos acusados de homofobia. Witzel, o governador do Rio, há algumas semanas aprovou uma lei (posteriormente revogada) que proibia padres e pastores de falar que homossexuais vivem em pecado. Ou seja, a agenda cultural progressista, aos trancos e barrancos, continua avançando nos governos estaduais e municipais. Temos um presidente conservador, mas isso mostrou ser algo absolutamente irrelevante.

Em determinadas regiões do país — como é o caso de São Paulo —, o totalitarismo progressista avança a pleno vapor. Agora as pessoas estão aprendendo que o que realmente influencia diretamente suas vidas são as políticas adotadas pelos governos municipais e estaduais. Nessa conjuntura, a verdade é que o governo federal, salvo em raríssimas exceções, não passa de uma vulgar e indiferente abstração, que em pouco ou nada afeta as nossas vidas (salvo na hora de cobrar impostos excruciantes, é claro).

Vou dar outro exemplo prático.

Há vários anos atrás, eu fui em um encontro que ocorreu entre empresários e políticos chineses e brasileiros em Porto Alegre. A iniciativa do encontro era promover cooperação comercial entre os dois países, China e Brasil. No entanto, a iniciativa partiu dos governos regionais e não dos governos federais. O governo federal brasileiro e o governo central de Pequim não estavam envolvidos. Foram iniciativas totalmente regionais. A Província de Shandong e o estado do Rio Grande do Sul decidiram promover uma grande rodada de negócios entre si. Ou seja, esse é um exemplo prático que mostra efetivamente que — para que pessoas de diferentes países façam comércio entre si — um governo federal é algo completamente desnecessário.

E verdade seja dita, nem mesmo governos estaduais seriam de fato necessários. Cada cidade pode muito bem se governar, sem problema nenhum. Muitas pessoas não se dão conta, mas não existe a menor necessidade de múltiplos governos interferindo em nossas vidas o tempo todo, e decidindo um monte de coisas por nós, enquanto roubam o nosso dinheiro através de impostos soviéticos e excruciantes, alegando que estão fazendo isso para o nosso próprio bem.

A história ensina e os fatos comprovam — quanto mais descentralização houver, melhor. Países como Suíça e EUA mostraram isso na prática (apesar de não servirem mais como exemplos, pois também passaram a sofrer com centralização excessiva). No entanto, nos tempos mais gloriosos dessas nações, entre o final do século 17 até o alvorecer do século 20 — até a grande depressão, aproximadamente — elementos como liberdade, autonomia e independência não eram sonhos distantes, muito pelo contrário. Eram princípios individuais imutáveis. O indivíduo não apenas podia como devia desconfiar do governo e das supostas “boas” intenções dos burocratas do estado. Caso o governo, por aguma razão ou outra, manifestasse inclinações despóticas e ambições tirânicas, os indivíduos estavam no pleno direito de se agrupar em milícias, e se insurgir contra o estado autoritário e lutar para manter a sua autonomia e a sua independência, que são direitos naturais inalienáveis.    

Apesar de existir desde o século 13, a Suíça só estabeleceu um governo federal de fato — com uma constituição —, na metade do século 19 (1848). E os problemas dos EUA começaram a ficar cada vez maiores justamente com o enfraquecimento da autonomia de governos locais, o que ocorreu conforme o governo federal se expandiu dramaticamente ao longo do século 20, ficando cada vez mais centralizado, tirânico e onipotente. Hoje o governo federal americano é cinco vezes maior do que era em 1965.

Apenas a descentralização propicia um ambiente salutar capaz de gerar progresso, desenvolvimento, prosperidade, soberania individual e resistência legítima contra o totalitarismo de estado. Está na hora de ver as coisas por aquilo que elas realmente são. O governo federal é um problema. Burocracia e centralização política estão na contramão do progresso, da prosperidade, da liberdade e do desenvolvimento. Está na hora de lutar pela liberdade do indivíduo e proclamar a insurgência, a autodeterminação, a descentralização, a desobediência civil. Governos nada mais são do que uma despótica coalizão de psicopatas e ditadores, que engordam as próprias receitas em decorrência da rapinagem institucionalizada que praticam contra a sociedade produtiva. É uma obrigação moral do indivíduo lutar pela sua liberdade, e romper os grilhões da servidão e da tirania. 

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