Devo praticar o Agorismo apenas por ideologia?

Taiane Copello
taiane.copello@gmail.com

Carioca, 22 anos, estudante de filosofia na UFRJ, escritora de artigos da Universidade Libertária, ex-coordenadora do projeto LibertaRio e do Grupo de Estudos Walter Block. Palestrou na Frente Libertária; publicou um artigo na Revista Pontes sobre filosofia austríaca; escreve monografia sobre Praxeologia; tem mais de dois mil e duzentos seguidores no twitter onde posta com frequência conteúdo libertário e demais temas que envolvam filosofia e economia.

A prática do Agorismo não pode ser inconsequente, deve levar em consideração todos os riscos envolvidos. Primeiro, se todos os agoristas desconsiderarem os riscos, logo todos estarão mortos ou presos, então todo o esforço seria em vão. Além disso, fazer algo contraeconômico sem levar em consideração os riscos pode te levar a ter prejuízos e não poder manter a operação ou seus ganhos. O que não faz nenhum sentido econômico nem racional.

É por essa razão que neste artigo da série irei expor os riscos de se praticar o agorismo e apresentar boas razões as quais as pessoas não deveriam praticá-lo apenas pela ideologia, mas também pelo lucro. Mas é possível trocar o risco pelo lucro? Neste texto irei explicar como.

Nesse contexto, não se pode deixar de falar que, com esse prática agorista, se estaria criando uma estrutura não sustentável financeiramente no longo prazo, o que também não faz sentido do ponto de vista de uma sociedade livre. Assim, a melhor forma de praticar o agorismo é trocando o risco por lucro. Isto é, ter uma margem de lucro maior para compensar os riscos do negócio. Isso é algo que todos que estudam administração e contabilidade entendem bem.

Se o risco de um negócio é maior, então devo esperar lucros maiores, caso contrário não vale a pena colocar esse negócio em prática. Para isso, vamos utilizar um cálculo básico de contabilidade, bem simples, para decidir se vale a pena ou não determinada atitude agorista. Mas antes, é importante entendermos como estimar os riscos.

A melhor forma de estimar o risco de algo é estimar a probabilidade de isso acontecer. No caso, o risco é a probabilidade de ser pego. Ela vai variar muito de caso a caso, além de variar a facilidade ou a dificuldade de se estimar essa probabilidade. Muitas vezes as próprias agências governamentais vão produzir relatórios com esses dados, até mesmo porque eles adoram divulgar como poucos “crimes” são resolvidos com o objetivo de conseguir mais orçamento.

Além disso, como a maior parte dos “crimes” não é resolvida ou mesmo identificada, podemos até dizer que esses números publicados devem representar o máximo a se esperar. Para os casos em que não se possui dados relevantes, é importante dizer que raramente a taxa de apreensão ultrapassa os 20%.

Entretanto, dada a incapacidade e frequente ineficiência estatal, dá para se perceber que essa probabilidade é muito menor do que costumamos imaginar. Curioso que quando olhamos para esses dados, normalmente oferecidos pelo próprio governo, percebemos a completa incapacidade governamental até mesmo na hora de punir os “crimes” que eles mesmo criaram.

No entanto, voltando ao cálculo para definir se vale a pena ou não realizar uma atividade contraeconômica, como podemos fazer esse cálculo? O que precisamos fazer é comparar o lucro esperado com o valor da multa vezes a probabilidade de ser pego.

E por que multiplicar? Porque isso é o risco esperado. Imagine que você está fazendo o contrabando de um produto proibido pela máfia. Considere que a probabilidade de ser pego e ter que pagar a multa é de 5%. Isso significa que a cada 20 transportes que você faz, um deles será confiscado, isto é, roubado, pelo governo.

Sendo assim, você precisa prever um lucro adicional de 5% para que as outras 19 vezes que teve sucesso na troca voluntária compensem o eventual prejuízo. Caso tenha interesse em aprofundar e aprimorar esse cálculo, pesquise sobre árvore de decisão e o conceito estatístico de “esperança”. Nós não vamos entrar nesses detalhes aqui porque não é o objetivo do curso, mas você pode utilizar diversas dessas ferramentas estatísticas e de administração para refinar o cálculo.

De forma simples, o cálculo pode ser representado como:

Lucro Contraeconômico = Receita – Custos – Despesas – Multa e Encargos x Probabilidade de Ser Pego x Probabilidade de ser Condenado

Sendo a primeira parte, receita menos custos e menos despesas o lucro tradicional. Então removemos dele o valor da multa multiplicado pela probabilidade de ter que pagar essa multa. Aqui é interessante considerar além do valor da multa em si, o valor dos advogados e outros custos, como por exemplo o tempo que você pode ter que ficar sem trabalhar.

E dessa diferença entre o lucro e o prejuízo esperado temos o “lucro contraeconômico”. Se ele for positivo, vale a pena assumir o risco. Se for negativo, não vale a pena assumir o risco. É claro que esse cálculo considera algumas premissas mais subjetivas, como por exemplo o tamanho do risco que você deseja assumir. Você pode ser patologicamente contra assumir riscos e considerar que qualquer tipo de risco é muito. Ou então, você ama tanto frustrar o estado que está disposto a assumir altos riscos por um baixo retorno só por diversão.

Mas, de qualquer forma, esse cálculo é um bom começo para avaliar a atratividade
de entrar em um negócio contraeconômico. Além disso tudo, outras coisas precisam ser consideradas. Por exemplo, deve-se tentar sempre minimizar ao máximo o risco, porque isso faz com que seus retornos sejam mais altos. Se ao decorrer do tempo realizando os seus negócios o eventos de prejuízo acontecerem em uma frequência menor que o esperado, você terá mais lucros. Se acontecerem com mais frequência do que o estimado, você pode vir a ter prejuízo.

Então, ao decidir realizar uma atividade contraeconômica, aja racionalmente e leve
em consideração todos os pontos apresentados aqui. Planeje e faça os cálculos necessários. Tudo isso vai te ajudar a ter muito mais chance de sucessos e a ser um empreśario contraeconômico de sucesso!

Portanto, com tudo o que foi explicado aqui, ficou claro que você não deve praticar o agorismo apenas por ideologia, mas por isso te trazer mais benefícios econômicos, uma vez que você diminuirá o roubo, considerando a probabilidade de ser roubado.

REFERÊNCIAS

KONKIN, Samuel. O Manifesto do Novo Libertário. Artigo publicado pela Libertyzine. 16 de março de 2017.

Agorismo: Liberdade Na Prática. Roteiro. Curso da Universidade Libertária. Sessão 1: Introdução; Sessão 2: O Que É O Agorismo?

Pesquisa: “Quem foi Samuel Edward Konkin III?“, em 14 de janeiro de 2021. Acesso em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Edward_Konkin_III.


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