Bitcoin E As Dificuldades De Adesão

Taiane Copello
taiane.copello@gmail.com

Carioca, 22 anos, estudante de filosofia na UFRJ, escritora de artigos da Universidade Libertária, ex-coordenadora do projeto LibertaRio e do Grupo de Estudos Walter Block. Palestrou na Frente Libertária; publicou um artigo na Revista Pontes sobre filosofia austríaca; escreve monografia sobre Praxeologia; tem mais de dois mil e duzentos seguidores no twitter onde posta com frequência conteúdo libertário e demais temas que envolvam filosofia e economia.

A tecnologia avança a cada dia mais na humanidade, de modo que, se não nos mantermos completamente informados, ou ao menos informados ao máximo, podemos estar perdendo grandes utilidades. Uma dentre essas novidades de desenvolvimento tecnológico que, certamente, revolucionaram o mundo, é a criação das criptomoedas, i.e., das moedas digitais. A principal delas hoje é, sem sombra de dúvidas, o Bitcoin ($BTC), criptomoeda criada no ano de 2009, por alguém cujo pseudônimo é Satoshi Nakamoto.

Neste artigo, pretendo expor as considerações principais sobre o que é o Bitcoin, além de explicar como e porque as pessoas ainda possuem algum tipo de resistência em aderir tal moeda como forma de pagamento, sendo mais popular enquanto criptoativo. É importante entender também que as moedas digitais são programadas conforme operações lógico-matemáticas, a nível da ciência da computação. Com isso, possui lastro e resiste bem à inflação. Mais à frente, irei expor minhas considerações a respeito do tema para ser compreendido o que nos leva à incertezas sobre o pagamento em Bitcoin.

Em primeiro lugar, eu gostaria de citar que o bitcoin possui muitas vantagens enquanto criptoativo, e uma delas é sua volatibilidade. Diferente das moedas fiat, ou seja, das moedas sem lastro [1], ele consegue ser dividido infinitamente, para ser comprado com muita facilidade. Mas isso também gera dúvidas nas pessoas, pois os satoshis, as casas decimais do Bitcoin, confundem bastante se comparadas aos centavos do real ou do dólar, por exemplo, que não passam de 1 centavo a 99 centavos. Enquanto isso, o Bitcoin tem casas decimais que são infinitas. Mas sua vantagem de compra e venda é muito plausível, pois essa volatibilidade permite que possamos fazer trade [2], independente de quanto em dinheiro físico tenhamos.

Outra vantagem do Bitcoin enquanto criptoativo é sua oscilação. Conquanto muito se argumente que a oscilação é ruim para as trocas e torna mais fácil perder dinheiro, são essas mudanças de preço constantes que fazem também com que muito se lucre com o Bitcoin. Isso pois nos permite realizar transações diárias, daytrade [3], e obter lucro líquido com essas alterações no preço do dinheiro. Na verdade, até na lei brasileira, o Bitcoin é visto como criptoativo, ao invés de uma moeda. Isso está certamente equivocado, todavia, é fácil de se pensar assim quando você é um membro de uma organização criminosa que detém o monopólio da moeda [4].

Não pretendo me extender na anatomia do Estado aqui, mas é crucial que entendamos o maior motivo da falta de adesão do Bitcoin, e, até mesmo, das criptomoedas em geral. O governo possui monopólio monetário, sendo assim, consegue controlar a taxa de juros, a quantidade de dinheiro circulando na economia, além de ter acabado com o lastro em metais preciosos das moedas que antes possuíam esse lastro. A inflação dependia da mineiração desses metais, por essa razão era mais difícil inflacionar a moeda.

Hoje, com o fim do Bretan Woods [5], em 1970, os Bancos Centrais do mundo todo, os quais utilizam da visão monetária do Mainstream [6], e não da Escola Austríaca [7], retiraram o lastro da moeda e decidiram ligar, com certa frequência, sua impressora, a fim de corrigir falhas do mercado, como, segundo John Maynard Keynes [8], da superprodução, argumento usado por ele nos tempos da crise de 1929 [9].

No entanto, as dificuldades não param por aí. O Bitcoin não pode ser usado, também, como forma de pagamento em praticamente todos os estabelecimentos. Mas é importante frizar que, não é para todo caso, pois muito se tem adotado a criptomoeda em alguns estabelecimentos em países asiáticos, como a Coréia do Sul e o Japão. Embora tenham feito isso, no mundo, os criptoativos ainda representam a minoria.

Nesse sentido, a oscilação do Bitcoin trás insegurança a quem o uso dessa forma, pois, instantaneamente, seu preço está sendo alterado, e você não consegue prever se pagará R$ 25,00 num almoço ou R$ 250,00, uma vez que a moeda pode estar valendo R$ 40.000 ou R$ 400.000,00. Além disso, ainda há uma certa desinformação da população em como comprá-lo. Ou, até mesmo, há muita gente que, ainda, infelizmente, não teve o prazer de conhecer as criptomoedas, inclusive o Bitcoin. Segundo o especiaista Breno Chaves, em artigo escrito para o site da Bitcoin Trade:

“A realidade de não ser aceito como forma de pagamento pela maioria dos estabelecimentos também pode ser listada como um dos problemas do Bitcoin. Afinal, nesse quesito, fica muito difícil a moeda virtual competir com qualquer outra que seja física e que exista nos dias de hoje.

Consideramos isso como um problema, pois, muitas vezes, fica difícil para o investidor ter confiança em apostar suas fichas em algo que não é palpável e, por enquanto, não é aceito como forma de pagamento no seu dia a dia.”
(Breno Chaves, 2018).

Dessa forma, também se torna indispensável comentar sobre o golpe de pirâmida que já foi dado algumas vezes contra os cofres digitais. Um exemplo recente disso é a chamada “Operação Egyptio”, que aconteceu no ano de 2019, com um empresa denominada Indeal, aplicando um golpe de pirâmida financeira. A empresa teria captado investidores entre os anos de 2018 e 2019, e o roubo resultou em R$ 135 milhões. O FBI apreendeu essa operação e os golpistas foram presos. O medo é certamente uma razão para a não adesão ao Bitcoin, pois, ao ler notícias como estas, pode ser pensado no dinheiro digital como um grande perigo.

Portanto, muito se questiona em relação ao uso do Bitcoin como moeda, embora ele seja aceito em alguns lugares enquanto forma de pagamento e é bastante levado em consideração como ativo financeiro. Resta saber se um dia ele será levado em conta no contexto monetário. Mas para isso o Estado precisa diminuir seu poder monetário, e somente as ideias poderão convencer as pessoas a enxergar utilidade no Bitcoin, enfraquecendo a importância da moeda fiat, como concorrente de peso que as moedas digitais já são em relação àquelas, especialmente por não ser inflacionária, como já mencionei.

NOTAS

[1] O lastro é a marca de uma moeda em relação à alguma coisa, como de metais preciosos e de operações lógico-matemáticas.

[2] Trade é o nome dado às trocas financeiras ao longo do tempo, comprando e vendendo o ativo financeiro.

[3] Daytrade é o nome dado às trocas financeiras ao longo do tempo, comprando e vendendo o ativo financeiro.

[4] O BACEN (Banco Central) é uma instituição que existe no mundo todo e que regula os bancos como um monopólio.

[5] Bretan Woods é a política monetária americana pós crise de 1929.

[6] Mainstream é o nome dado à academia.

[7] A Escola Austríaca de economia, e hoje, também, de filosofia, foi fundada no final do século XX pelo economista austríaco Carl Menger. Fica situada na cidade de Osasko, na Áustria.

[8] John Maynard Keynes é um economista do século XX.

[9] A crise de 1929 foi a maior crise econômica da história e atingiu, principalmente, os Estados Unidos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ROTHBARD, Murray. O que o governo fez com nosso dinheiro? Tradução de: Leandro Augusto Gomes Roque. 1º Edição. Ed. Ludwig Von Mises, 2013.

ROTHBARD, Murray N. Anatomia do Estado. Tradução: Tiago Chabert. Edição: Livro de bolso; São Paulo, Ed. Ludwig Von Mises Brasil, 2018.

VON MISES, L. Lord Keynes e a Lei de Say. Ludwig Von Mises Brasil. Pesquisa em: 27 de Janeiro de 2021. Disponível em: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=159.

4 principais problemas do Bitcoin e como eles vêm sendo superados. Bitcoin Trade, Por Breno Chaves. Escrito em: 28 de Agosto de 2018. Pesquisa em: 29 de Janeiro de 2021. Disponível em: https://blog.bitcointrade.com.br/4-principais-problemas-do-bitcoin-e-como-eles-vem-sendo-superados/.

FBI apreende R$ 135 milhões de golpe brasileiro de Bitcoin. Livecoins. Por Gustavo Bertolucci. Escrito em: 18 de Novembro de 2020. Disponível em: https://livecoins.com.br/estados-unidos-apreendem-milhoes-de-piramide-financeira-do-brasil/.


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