Culpar “neoliberalismo” por protestos no Chile é pretexto esquerdista

Pílulas Vermelhas

O Chile sempre foi o símbolo de maior estabilidade na América Latina, e a causa desse relativo sucesso foram as reformas liberais.

Elas são a causa da prosperidade, e nem os social-democratas ousam mexer em certas coisas. O foco deveria ser no nível absoluto de pobreza, já que o Chile é o segundo país com o menor índice de pobreza na américa latina, perdendo para o Uruguai. Também é um dos países mais livres economicamente, sabemos que isso gera uma grande riqueza. Mesmo sendo melhor, não é um ancapistão da vida é claro. Podemos esperar bastante intervenção estatal por lá também.

Mas a esquerda está apostando pesado em utilizar o Chile como um exemplo de livre mercado e capitalismo total, além da diferença entre ricos e pobres, pois assim mobiliza com base na inveja, no ressentimento e que o modelo soça é o único que dá certo (piada).

Sobre o aumento da passagem no metrô que desencadeou as manifestações, vale lembrar que quem controla isso é o estado e não o mercado.

O sociólogo Boaventura de Souza Santos, extremista de esquerda, “alertou” que o Brasil poderá ser o próximo país a ter convulsão social, como Equador e Chile. Ele culpou, adivinhem, as políticas “neoliberais” do governo Bolsonaro.

Helio Gurovitz, em coluna no G1, derrubou a falácia de que o neoliberalismo é o responsável pela crise chilena:

Errar o diagnóstico é a forma mais fácil de preservar a doença. Experimente receitar um antibiótico para uma infecção viral ou extrair o apêndice de quem está com diverticulite. Na melhor hipótese, não vai ajudar. Se já é difícil nas ciências naturais, pior nas humanas.

[…] É verdade que o Chile se tornou mais desigual ao longo da última década? Não, de acordo com a medida mais adotada pelos economistas, o índice de Gini. Em 2003, ele era de 0,51 no Chile (no Brasil, 0,56; na América Latina, 0,52). Em 2017, caíra para 0,45 (no Brasil, para 0,54; na América Latina, para 0,47). O Chile não é apenas menos desigual que México, Brasil, ou Colômbia, mas, a exemplo de Uruguai, Argentina e Equador, tem se mantido pouco abaixo da média continental.

A concentração de renda, ao contrário, cresceu. Em 2006, os 10% mais ricos da população ficavam com 31% da renda chilena. Em 2017, com 39%. É possível que haja aumento na concentração de renda no topo, mas queda na desigualdade na sociedade? Em teoria, sim, dependendo das taxas de crescimento econômico e da redução da pobreza. Por isso mesmo, a questão desafia análises simplistas.

Desde os anos 1980, a pobreza chilena caiu de 40% da população para abaixo de 10%. A inflação está sob controle, e o crescimento também se mantém acima da média latino-americana, embora tenha caído nos últimos anos com o estouro da bolha das commodities. Como ocorreu em 2013 no Brasil, a revolta chilena espelha muito mais uma percepção disseminada pelas redes sociais do que a realidade da economia, ainda que ela enfrente mesmo dificuldades.

Helio Gurovitz

Apesar de tudo, as angústias da população têm fundamento. As tarifas de serviços de utilidade pública têm subido mais que o aumento de renda, em parte por conta da alta de 10% do dólar desde março. A qualidade dos serviços públicos vem se deteriorando há muito tempo (típico dos serviços estatais). Embora o crescimento seja alto, não é suficiente para dinamizar a renda como antes.

Sabemos que os protestos não estão gigantes assim. A esquerda aproveita dessa narrativa, torna algo muito maior do que realmente é (como de costume) para incitar a violência contra o “sistema”. De quebra, já englobam Bolsonaro para dizer “nós avisamos, vai dar errado”.

Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las”, disse Roberto Campos. A esquerda jurássica latino-americana vive de plantar vento para colher tempestades. É disso que se trata a guerra chilena.

As demandas da população que eram pacíficas nas ruas, passaram a ser exploradas por grupos políticos e ideológicos com o intuito de implantar uma nova Constituição, bem ao estilo de Hugo Chávez. É um clássico na América Latina e o mundo a dificuldade da esquerda em aceitar a perda de uma eleição e sua vontade de desestabilizar qualquer governo não seja alinhado com a “superioridade de seus ideais.”

Entre os 34 países da OCDE, o Chile é aquele que possui a maior mobilidade social. Segundo os dados da própria OCDE, 23% dos chilenos que nasceram em uma família pobre conseguiram elevar sua renda até se situarem no grupo de população de maior renda.

Porcentagem de pessoas que nasceram no grupo dos 25% mais pobres da sociedade que conseguiram chegar ao grupo dos 25% mais ricos

O analista político-econômico chileno Axel Kaiser advertiu em 2007 no livro “El Chile Que Viene” sobre a falsa sensação de segurança após seguidos anos de crescimento e previu a ruptura social que resultaria das péssimas políticas públicas do governo da socialista Michelle Bachelet.

Fonte: Gazeta do Povo, Mises Brasil



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