Petróleo no Nordeste já é o maior desastre ambiental do litoral brasileiro.

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Manchas de petróleo chegaram a 2.100 km de extensão, 138 praias e 62 cidades. Animais já são vítimas da poluição. Investigações identificaram óleo venezuelano.

O vazamento de puro pretóleo está se espalhando pelos 9 estados do nordeste. A análise feita pela Marinha e pela Petrobrás apontou que a substância é “pretróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado do mesmo”. Se trata de um hidrocarboneto, conhecido como piche, e é a mesma em todos os lugares analisados. A origem ainda é desconhecida e de tipo não produzido no Brasil.

Marcelo Amorim, coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama, explica que não se sabe ainda quem começou o vazamento e que todas as hipóteses estão sendo investigadas. “Uma delas [das hipóteses] é que um petroleiro que tenha lavado o seu tanque de petróleo. Existe um tanque que absorve essa água com borra, que não deixa de ser petróleo cru. Por algum motivo, em vez de parar no porto e dispensar, ele sai navegando e liberando numa passagem que tenha feito ao longo do Brasil, na altura de Alagoas e Pernambuco”, conta Amorim, que explica ainda que as correntes marítimas naturais estão ajudando a espalhar as machas, algo que não dá para se interromper.

Foi especulada a possibilidade de que a Venezuela estaria envolvida no desastre, mas o país, é claro, nega. “A PDVSA [empresa petroleira venezuelana] nega categoricamente as declarações do ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, que acusa a Venezuela de ser responsável pelo petróleo que contaminou as praias do nordeste do Brasil desde o começo de setembro”, informou em comunicado oficial.

A Petrobrás informou que nunca processou, nem mantinha estoque algum de óleo de origem venezuelana na Refinaria Abrey e Lima, em Pernambuco, estrutura que, em princípio, seria construída com a parceria da estatal venezuelana PDVSA.

Até agora, pelo menos doze animais sofreram os efeitos da substância viscosa – onze tartarugas marinhas e um golfinho – e oito deles morreram. Para a saúde humana, podem haver consequências a curto e longo prazo.

Sergipe é um dos estados mais afetados do país. São 14 pontos de óleo e várias praias interditadas, o que fez governo estadual decretar situação de emergência.

“A curto prazo, o contato com o óleo pode causar irritação na pele e mucosas”, explica o toxicologista Álvaro Pulchinelli Júnior, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Outro impacto de curto prazo são complicações que surgem após a ingestão de peixes ou frutos do mar de áreas atingidas. A contaminação pode resultar em náuseas, vômitos e gastroenterite (inflamação no estômago e intestino). Mariscos e ostras requerem atenção ainda mais especial. Eles filtram a água para se alimentar e, portanto, acumulam mais resíduos de petróleo do que os peixes. “Evitar esses alimentos é sempre a melhor alternativa”, explica o toxicologista.

Ao longo prazo,  há o aumento do risco de desenvolvimento de alterações no perfil hematológico e na função hepática, favorecendo a chance de ocorrência de doenças como o câncer. No contato de forma prolongada, pode causar danos genotóxicos (alterações no DNA) no caso de consumo de alimentos marinhos contaminados e também provocar problemas respiratórios e eventuais dificuldades reprodutivas.

O Ibama está constantemente atualizando os dados sobre o caso. Neste link você pode acompanhar o relatório de todas as localidades em que apareceram manchas, e neste outro, você acompanha os locais que tiveram fauna afetada.

Claro, não há surpresa nenhuma em várias estatais estarem envolvidas nesse caso.

Fonte: Revista Galileu, G1, Abril.

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