Em Defesa do Laissez-Faire

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O texto abaixo é um trecho do livro O Que é a Liberdade?, que pode ser baixado gratuitamente neste link.

O Laissez-Faire ou apenas capitalismo, como já supracitado anteriormente, é o único modelo no qual o indivíduo tem a liberdade de, com a sua propriedade privada, através do cálculo econômico avaliar as melhores alternativas de satisfazer os seus clientes e assim, consequentemente, ganha-se o benefício de tal empreendimento, o lucro.

O capitalismo, de acordo com Mises, enfatiza a liberdade econômica e política, e consequentemente coloca o consumidor, no âmbito do livre mercado, num status de soberano. Tendo tais premissas, o capitalismo é o modelo de organização social que privilegia o aperfeiçoamento econômico: “Existe apenas uma maneira exequível de melhorar as condições materiais da humanidade: acelerar o crescimento do capital acumulado em oposição ao crescimento da população”.

Em prol do progresso social econômico, tal modelo deve ser posto em prática o quanto antes, pois, enquanto não há a liberdade total, há a imposição em todos. Assim sendo, a defesa do capitalismo e do livre-mercado, é uma defesa quanto a modelo econômico, mas também pode ser feito uma defesa moral.

De acordo com Joel F. Wade¹: 

O capitalismo faz com que seja supremamente recompensador e lucrativo fazermos algo completamente diferente.  Afinal, também temos dentro de nós a capacidade de pensar, de planejar, de antever as potenciais consequências de nossas ações, de aprender com nossos erros e com as respostas de terceiros.
Quanto mais utilizamos essa capacidade, mais desenvolvemos uma apreciação pela grande felicidade e satisfação pessoal que pode advir do fato de sermos muito atentos ao que fazemos; e aprendemos, com uma profundidade continuamente maior, como aquilo que nós fazemos afeta a nós mesmos e aos outros.
O capitalismo cria as circunstâncias externas que faz com que utilizar essa capacidade seja um benefício.  São essas qualidades empáticas, recíprocas, de longo prazo e voltadas para o nosso exterior que tornam possível uma grande diversidade de virtudes — gratidão, coragem, empatia, produtividade, criatividade, perdão, bondade, integridade, compaixão e perseverança, para citar apenas algumas.

Por que é Impossível Diferenciar Liberdade Econômica e Liberdade Social

Uma postura que muitos governos defendem quando a economia não está indo bem é a liberalização da economia mas sem alterar as políticas intervencionistas no campo das escolhas individuais.

Entretanto, na prática, isso é impossível, uma vez que as escolhas individuais também são ações econômicas, tendo-se uma preferência de um recurso escasso por outro. Assim, mesmo decisões que aparentemente não afetam em nada a economia, como bolsas de estudos e leis de quotas ou a proibição do casamento de pessoas do mesmo sexo, distorcem os sinais dados aos empresários através do sistema de preços. Isso porque essas regras levam a pessoa a tomar decisões diferentes daquelas que tomariam em um livre mercado, fazendo com que suas preferências não fiquem claras aos participantes do mercado e, portanto, diminuindo a capacidade das pessoas de atingirem seus objetivos.

Hayek, um dos mais famosos autores da Escola Austríaca de Economia, demonstrou como acontece esse processo de distribuição do conhecimento de forma brilhante, provando que as intervenções governamentais impedem o fluxo de informação entre as pessoas no mercado. Assim, também acaba fazendo com que a melhor solução para aqueles participantes seja deixado de lado em favor de atender as soluções de terceiros que, não fossem as intervenções, não participariam dessa troca. E é fácil perceber que esses terceiros beneficiados em detrimento dos outros em quase todos os casos são os governantes que criaram a legislação e os seus apoiadores.

[1] WADE, Joel F. A Defesa Moral do Capitalismo. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2013. Disponível em <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1110>.

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One thought on “Em Defesa do Laissez-Faire”

  1. Há algo nesta vida, que ninguém poderá nos roubar: a liberdade de pensar. Aquele que é contrário a esta proposição de forma honesta aceitar discuti-la poderá, inesperadamente se surpreender consigo mesmo. De que forma? Descobrindo que tem a incrível desfaçatez de negar aos outros que façam o mesmo que ele faz. Assim terá posse do conhecimento da ignomínia que é o totalitarismo. Pois embora solitário na sua jornada, a muitos prejudicará. E quem sabe, oxalá, se veja no desejo compulsivo de mudar isso em si mesmo, pois é a única pessoa, neste mundo, que tem o poder de mudar. Tentar combater a liberdade de pensar, não é só um crime silencioso praticado por todas as formas perversas de poder, mas comumente praticado por todos aqueles que desconhecem o significado de caráter. O que acredito e o que pratico, fez-me abrir mão de muitas coisas na vida, pois jamais abri mão de considerar as lições de meus pais. É óbvio que a idade vai aprimorando o espírito, isto é uma espécie de prêmio, sem jamais ter custo em espécie, mas em resiliência e muita, muita paciência.

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