Gustave de Molinari

Pensadores da Liberdade

Gustave de Molinari foi um economista e teórico social belga, considerado um dos mais radicais defensores da liberdade individual no século XIX.

“Ah, então ele era um anarquista como Proudhon?”, Bem… sim e não.

“Então ele era liberal, né? Só pode ser”. Novamente, a resposta é sim… e não

“Mas então o que ele era? Quem defende a liberdade ou é anarquista ou é liberal, né?”

Bem, anarquistas e liberais defendem sim a liberdade, cada um de sua forma é claro. Mas o nosso Gustave; Gustavinho, O guto! Ele sim foi um cara diferente.

Ao invés de defender a anarquia clássica ou o Estado mínimo, Gustave de Molinari foi o precursor do anarcocapitalismo.

É claro que não dá pra dizer que ele era de fato um anarcocapitalista, afinal esse termo foi inventado por Murray Rothbard, no século XX. E segundo o próprio Rothbard, Molinari muito provavelmente teria rejeitado o termo.

Vale dizer também que algumas de suas ideias não convergem de forma alguma com o atual pensamento libertário, como por exemplo a propriedade intelectual e a crença de que a economia é como um modelo de competição perfeita, em que em uma sociedade livre, os preços estariam sempre em equilíbrio.

Além do mais, sua defesa do livre mercado e da propriedade privada eram baseados no utilitarismo e no consequencialismo, algo próximo do pensamento de Mises e distante do de Rothbard e Hoppe.

“Tá, mas qual foi a grande obra desse tal de Gustavo ai, hein?”

Essa sem dúvidas, meus amigos, é a nem um pouco famosa “DA PRODUÇÃO DE SEGURANÇA”, onde Molinari desafiou o senso comum e demonstrou como o livre mercado de justiça e proteção poderia ser muito mais eficiente que o Estado, podendo até mesmo substituí-lo.

Segundo ele:

“em todos os casos, para todas as mercadorias que servem à satisfação das necessidades tangíveis ou intangíveis do consumidor, é do maior interesse dele que o trabalho e o comércio permaneçam livres, porque a liberdade do trabalho e do comércio tem, como resultado necessário e permanente, a redução máxima do preço.”
“os interesses do consumidor de qualquer mercadoria devem sempre prevalecer sobre os interesses do produtor.”

ou seja:

“a produção de segurança deveria, nos interesses dos consumidores dessa mercadoria intangível, permanecer sujeita à lei da livre competição.”

Essa ideia foi muito rejeitada. Não exatamente pelos anarquistas, esses muito provavelmente nem sequer chegaram a ouvir falar de Molinari.

Na verdade, ela foi rejeitada pelos próprios economistas franceses partidários do livre mercado, o famoso “laissez-faire”.

Até mesmo Frederic Bastiat, aquele que nomeou Gustave como seu herdeiro intelectual, afirmou que a segurança só pode ser garantida pela força do Estado.

“Tá, mas já que nem os liberais e nem os anarquistas concordam com esse tal de Gustave de Molinari, por que eu deveria?”

Bem, quando olhamos as inúmeras agressões cometidas pelas forças policiais do Estado, seja na revolução francesa ou nas greves proletárias do final século XIX e início do século XX, vemos que o monopólio do serviço de segurança, ou seja: o monopólio da força, é algo altamente benéfico para o Estado, que consegue sempre suprimir as manifestações das quais não lhe convém.

Mas e como ficam as pessoas? Assim… apesar de darem suporte a sindicatos de cunho socialista e muitas vezes praticarem vandalismo, os trabalhadores tinham sim seus motivos para se manifestarem.

O problema é que como o Estado sempre deteve o monopólio da força, mesmo a mais pacífica das manifestações não está à salvo da violência policial, assim como as comunidades pobres de hoje em dia também não estão, pois infelizmente, aquele que veste a farda não serve ao seu povo, aos seus verdadeiros clientes, mas sim ao Estado, que o usa como inseticida de inocente.

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